(Uma vez que iniciei uma nova rubrica no meu espacinho cibernético de nome “as minhas histórias”, aqui vos deixo mais um rebuçadinho daquilo que foi mais um dia da minha pacata vida).
Dia 19 de Maio de 2007, dia da Bênção das Fitas na cidade universitária, em Lisboa.
Ainda o sol espreitava já me encontrava a pé, meio sonâmbulo, mas com uma vontade imensa de coser os muitos emblemas que ainda faltavam na capa. A ansiedade crescia a cada minuto, obviamente que não era pela “cagada” da festa, mas antes porque levava 15 minutos a coser cada símbolo. Além disso, o jeitinho não era muito. Foi nessa altura que reflecti e cheguei à conclusão que bastavam uns três. E o que faria com os outros catorze? Haverá outra solução? Sem problemas resolvi logo a questão na papelaria de esquina: “- Ó freguesa, arranje-me lá cola para tecido!” E foi assim que em cinco minutos se construíram castelos de areia…
Ultrapassado o primeiro problema diário eis que surgiu um segundo: Pontualidade. Mas este não conta, visto que, cheguei atrasado em relação à hora marcada pela Associação Académica e, a seguir a mim, mais uns cinquenta. Quem pode, pode!
Seguiram-se minutos de confraternização entre os pupilos nas traseiras da Faculdade de Direito. 


Os flashes dispararam até que lá do outro lado nos chamaram e lá foi o rebanho em cortejo para a frente da Faculdade. Uiiiii, andámos tanto. Uns cem metros. E depois, para verem como foi mesmo mau, ficámos a cerimónia toda à sombra, ao invés de todos os índios que se espalharam diante de nós… É bom estar em casa…
Olhem só, na escadaria tirámos grandes fotos, daquelas de guardar para mais tarde recordar. Não sei porquê, mas quando vou aos álbuns antigos de fotografias tenho sempre este tipo de fotos, com os bons amigos presentes, os colegas, os conhecidos, os totós, as barbies, os Kens e aqueles que prefiro chamar de os pouco amigos… Agora que falo nisto, acho que vou começar a dar uso ao photoshop…
“- Olha mãe, eu estou ali.”




Retomando a descrição dos factos ocorridos na manhã de Sábado, antes que vos comece a dar sono, eis que no intervalo que mediou o início da missa de Bênção e a nossa chegada triunfante, o pessoal foi para os copos na faculdade de letras.
A missa decorreu bem, todavia, melhor para quem a ouviu. É aqui que entra o livro de reclamações: então não é que o nosso lado não estava devidamente guarnecido com os devidos amplificadores. Não há Direito! Bom, menos-mal, o pessoal meteu a conversa em dia e ainda houve tempo para muitos lacrimejarem pelos cantos. É sempre triste lembramo-nos de que o tempo de boémia e deboche esvai-se em grande parte com o término do curso.
Gritou-se muito naquele canto do mundo e os telemóveis esqueçam, rede era o que não havia. Não sei ao certo quantas pessoas compareceram ao certo, mas uma coisa posso afirmar, pelo menos umas oito mil estariam presentes.
Foi bonito, é o que posso dizer e vale a pena comparecer numa festa assim. Sente-se um verdadeiro espírito académico.
Benção das Fitas 2007
quinta-feira, 13 de Março de 2008 | Postado por XPTO às 17:22 4 comentários
Marcadores: As minhas histórias
Orgulho

Olho o horizonte e vejo um monte,
Sozinho na imensidão de um deserto.
Vejo milhas despidas de protuberâncias,
Tudo raso ou liso,
E uma bolha no friso:
Pode ser uma cereja,
Uma farpa em madeira polida,
Uma gota de água
Evaporando até à sua completa obliteração,
Ou pode ser tão-somente um refúgio
Dos que se querem esconder
Ou dos que se julgam indignos de se mostrar.
Será vergonha de assumir um tropeção,
Ou antes orgulho cego e sem razão…
Tantas vezes nos equivocamos,
E jamais soltamos súplicas de perdão,
Quando o caminho para a depuração
Não se faz sem o afastamento de ramos
Que na estrada se espalham lugubremente…
Desenho: Michael Whelan
Poesia: João Pedro Santos
terça-feira, 11 de Março de 2008 | Postado por XPTO às 20:49 0 comentários
Marcadores: Poesias e Prosas
Os queijos Camembert
Prezados são aqueles que quando viajam por esse mundo fora se recordam de familiares e amigos e, no seu regresso, os presenteiam com pequenas lembranças. Enchem desta forma o semblante de cada um daqueles seres com um sorriso, através de um pequeno gesto de extrema consideração. Boa educação e bom génio são palavras que se lhes aplicam propositadamente, tão respeitáveis que são suas condutas criteriosamente delineadas. Partindo destes pressupostos, Joãozinho Pedrito Santolas, bem-educadinho e de bom génio… não poderia fugir às elevadas expectativas que familiares e amigos lhe depositavam e, como seria de prever, andou errante pelas ruas de Paris à procura de algo para oferecer aos seus conterrâneos. Procurou e procurou e foi encontrando uma coisa ali, outra coisa acolá. Mas, de boa memória, lembrou-se das coisas que se dizem acerca da requintada gastronomia francesa. É de longe conhecida a fama que alcançaram os queijos franceses ao longo de décadas a fio. É inclusive conhecida a fama do cheiro a “chulé” que se atribui a muitos desses queijos. E é muito provável que para a maior parte de vós, Exmos. Leitores, a palavra Camembert seja sinónimo de mau cheiro ou fedor. Não será assim? Pois bem, desligado desta última condicionante e partindo da elevada reputação que de um modo geral o queijo Camembert tem, lembrei-me de comprar uns para oferecer à minha mãe. Que bela ideia pensarão vocês! E até foi… Todavia, não sem antes passar por umas quantas peripécias.
Foi na manhã do dia de regresso a Lisboa que comprei o almejado queijo. Procurei o melhor dos melhores numa loja da especialidade, ou seja, o mais caro de todos. Sobressaiu um, de nome “Camembert de Normandie – Gillot”, um queijo Medalha de ouro 2007 atribuído pelo aclamado Concurso Geral Agrícola de Paris. A pensar que o dito cujo seria mesmo bom, até comprei dois. Sabem os mais “experts” da matéria que muito fedor nesta qualidade de queijos é sinónimo de melhor qualidade, e eu não vos digo mais nada... 

Todo pimpão, embalei os queijos na mala juntamente com outras oferendas, e lá fui eu até ao aeroporto de Orly (Paris). Dirigi-me ao balcão da Ibéria para fazer o check in e após a sua execução, lá fui eu para a porta de embarque. Optei por levar somente bagagens de mão, visto que o peso das mesmas não excedia os seus limites máximos.
Enquanto esperava pela chamada para embarque sentei-me um pouco. Comecei a sentir ligeiramente o cheiro dos queijos, não liguei. Assim que foi dada a ordem de embarque fi-lo com o maior dos preceitos, respeitei as filas, cumprimentei primorosamente as hospedeiras com um “bonjour”, dirigi-me ao meu lugar, meti as malas na bagageira sita por cima dos assentos e sentei-me à janela do A321 da Iberia.
Em poucos minutos, ainda o avião não havia descolado, comecei a sentir um leve aroma a “chulézinho”. Começou a parecer uma cena de desenho animado, ao estilo de Tom & Jerry, com o ratinho a ficar hipnotizado pelo odor do queijo esburacado.
Bom, continuando, após a descolagem comecei a observar movimentos suspeitos por parte dos passageiros que me circundavam. Eles eram uma mão que coçava, outra que tapava o nariz, uns “snifares” e assoadelas constantes, uns olhares desconfiados e também desconfortáveis, enfim, reinava um clima de suspeição.
Um fedor intenso circunscrevia todo um sector do avião. Eu já não sabia o que fazer, limitei-me a “enfiar a cabeça” pela janela adentro e a contemplar nuvens durante uns belos quartos de hora até chegarmos a Madrid, uma vez que tinha escala no aeroporto de Barajas. 
Assim que cheguei a Madrid dirigi-me a uma loja para pedir sacos de plástico. Consegui três, contente rejubilei com a minha sorte, porém, esqueci-me de que aquele tipo de queijo assim que vai adquirindo paulatinamente a temperatura ambiente vai tresandando cada vez mais.
Quais mais três ou seis sacos, o odor era tão intenso que já não havia volta a dar. Das duas uma, ou suportaria mais uma viagem com aquele odor ou teria que deitar fora aquele queijo caríssimo.
Arranjei uma terceira hipótese, vil mas funcional. Após uma primeira viagem vergonhosa comecei a carregar um sorriso sarcástico à medida que me iam surgindo ideias para contornar o problema naquela que seria a segunda viagem. Pois bem, perguntará o Leitor qual foi a solução arranjada? Muito bem, lembrei-me de colocar a minha bagagem uns bons metros à frente do meu assento, desta forma, os olhares centrar-se-iam noutro lado que não o meu. Hehehe, foi divertido! Mais divertido devido ao facto de esta segunda viagem ter sido feita com bastantes portugueses a bordo. Nós (portugueses) não temos mesmo tento na língua, e passei uns bons momentos a ouvir comentários bastante impróprios do tipo: “Cheira mal!”, “Que fedor!”; “Este avião está podre!”; “Alguém deve ter vomitado!” (ouve mesmo quem fosse reportar aquele odor a uma das hospedeiras, como se ela não sentisse). Todos estes comentários bem longe de mim e de referir que ninguém descobriu nada.
Cheguei a casa cansado, mas com boas recordações, a pensar que aquele cheiro ainda poderá habitar qualquer um daqueles aviões.
quinta-feira, 6 de Março de 2008 | Postado por XPTO às 0:25 5 comentários
Marcadores: As minhas histórias
History
O desenho que vos trago hoje já é bem antigo, remonta ao ano de 1998, e era o meu separador da disciplina de História. Hehe. Baril ter separadores tão personalizados. Um abraço e até terça-feira que vou de fim-de-semana... ;)
Desenho: João Pedro Santos
quinta-feira, 28 de Fevereiro de 2008 | Postado por XPTO às 18:14 1 comentários
Marcadores: Os meus Desenhos
Melódica

"Não quero perder o teu sorriso,
Sofrer ou enlouquecer num canto gélido do meu quarto.
Não quero nunca deixar de ouvir
O encadear das notas musicais que brotam dos teus lábios,
Porque se ouvi-las é deslumbrante,
Escutar apenas o eco de palavras
Proferidas em tempos de amor e paixão,
Já é demolidor e desconfortante.
Quanto de ti gostava de ter sem poder ter,
Quanto de ti gostava de escrever
Sem ter palavras para te descrever.
Num mundo banal e acre
Só tu és harmonia rara e doce
Que corta a respiração como uma foice
Num constante morrer e renascer
Na contemplação do teu ser."
Desenho: (desconhecido)
Poesia: João Pedro Santos
quarta-feira, 27 de Fevereiro de 2008 | Postado por XPTO às 18:45 2 comentários
Marcadores: Poesias e Prosas
Deeper diving
Perdoem-me a fraca qualidade do desenho que vos proponho hoje. Tinha-o digitalizado, embora inacabado, e lembrei-me de fazer rapidamente um retoque digital. Não ficou muito mal, mas também não ficou bem... A pressa é mesmo inimiga da perfeição... ;)
Desenho: João Pedro Santos
terça-feira, 26 de Fevereiro de 2008 | Postado por XPTO às 17:35 0 comentários
Marcadores: Os meus Desenhos
Podridão

"Dum trono feito de crisálidas resvalaste!
Por toleima ou por descuido
Pelo abismo voaste…
Não verás brotar a opulência dum Sonho
Por não perceberes que,
Quer no céu como na Terra,
Caindo não se voa.
Foste inchando com negrume
Cada onda do teu curtume,
Tua carne exaspera pestilência
Já só comível por penitência.
Cheiras a podridão.
Farejas na escuridão,
Enquanto te escondes do meu brasão.
A luz do céu que te fere a vista
É a mesma que te pesa às costas,
Costas que já não são costas,
Mas antes bossas de filamentos adiposos.
Tornaste-te lagarta estéril
Num casulo velho e pachorrento
Quando podias voar para lá do barlavento."
Desenho: Boris Vallejo (1989)
Poesia: João Pedro Santos
Postado por XPTO às 1:58 0 comentários
Marcadores: Poesias e Prosas
